Desde o nascimento que o ser humano reclama atenção.
Primeiro da mãe, depois do pai, seguem-se os avós e, progressivamente, o
círculo social mais alargado. Já em idade infantil, muitas crianças revelam uma
capacidade natural para captar a atenção dos outros, seja em contextos
familiares, escolares ou festivos. Alguns chegam mesmo a construir uma marca
pessoal que os distingue dos demais.
Este
fenómeno não é exclusivo das pessoas. Empresas e organizações competem
permanentemente pela atenção dos seus públicos — clientes, consumidores e, no
caso das organizações desportivas, dos adeptos ou fãs.
Os
consumidores atuais tendem a criar laços de afinidade com marcas e
organizações, tomando decisões menos racionais do ponto de vista financeiro e
mais emocionais.
A escolha é frequentemente determinada pela identificação com valores, atitudes e compromissos, nomeadamente nas áreas da sustentabilidade financeira, social e de governação (ESG), que refletem a visão e o propósito da marca.
Esta
redefinição do adepto/fan traduz-se em emoções como a alegria, o sentido
de pertença à marca e a ligação a uma comunidade (a comunidade de adeptos do
seu clube).
O
adepto não consome apenas um jogo: consome uma experiência, um significado e
uma identidade coletiva e quer saber tudo sobre a sua equipa, antes, durante e
depois do jogo.
Num
passado não muito distante, o basquetebol conseguia atrair adeptos que enchiam
pavilhões e apoiavam as suas equipas com entusiasmo. Em Coimbra, era comum
formarem-se filas duas horas antes do início dos jogos da Académica. O mesmo
acontecia no Porto e em Lisboa. Os jornais desportivos — e até a imprensa
generalista — dedicavam páginas inteiras à modalidade.
O
basquetebol captava a atenção das pessoas.
Foto de Big Slam - Dale Dover (início dos anos 70) ajudava a encher pavilhões
Contudo, com a evolução e profissionalização do desporto, integrando-se numa nova realidade — a indústria desportiva, que também é, cada vez mais, uma indústria do entretenimento — o basquetebol foi perdendo fulgor e relevância mediática.
Ao
manter-se preso a uma lógica de mera gestão de modalidade, o basquetebol
revelou dificuldade em reconhecer e acompanhar as profundas transformações do
ecossistema desportivo, que passou do associativismo para uma lógica da indústria
desportiva e do entretenimento, altamente competitiva e orientada para o
consumo de experiências.
Tal
como descrito na Teoria do Oceano Azul, o basquetebol continuou a navegar num
oceano vermelho: um mercado saturado e agressivo, onde marcas desportivas,
culturais, redes sociais, plataformas audiovisuais e até o turismo competem
ferozmente pela atenção das pessoas.
É, por
isso, fundamental que o basquetebol passe a lutar estrategicamente pela atenção
dos adeptos, procurando navegar num oceano azul — diferenciando-se, criando
valor único face a outras formas de entretenimento e introduzindo inovação nas
suas organizações e competições.
Para
isso, é indispensável uma visão clara da modalidade e dos diferentes quadros
competitivos.
Não
basta definir formatos de competição, elaborar calendários, divulgar resultados
ou publicar conteúdos nas redes sociais.
É
essencial identificar o propósito do basquetebol e de cada nível competitivo.
O que
se pretende de cada competição?
Competitividade?
Entretenimento? Formação? Desenvolvimento de talento?
Com
que tipo de jogadores? Nacionais? Estrangeiros? Que sustentabilidade da
competição e dos clubes?
Quem
são os adeptos?
Assistem
aos jogos em casa? E fora?
Acompanham
as competições pelos media tradicionais ou pelas redes sociais?
Compram
merchandising?
Sentem
pertença à marca desportiva?
São
incondicionalmente fiéis ao basquetebol?
Em
março de 2014, e no âmbito das eleições para a Federação Portuguesa de
Basquetebol, escrevi um texto onde afirmava “a modalidade não pode continuar
a ser gerida como no século passado; é imperioso que o basquetebol seja tratado
como uma marca, capaz de inovar, de se diferenciar das restantes modalidades,
com uma estratégia de comunicação eficaz, sustentada por gestores competentes,
profissionais, com competências multidisciplinares e capacidade de concretizar
ideias e projetos.”
Em
2026, esta reflexão mantém-se atual. É urgente identificar de que forma o
basquetebol se pode diferenciar e construir um roteiro claro para essa
transformação.
Num
mundo marcado pela informação, pela inovação e pela sustentabilidade, o
basquetebol precisa de voltar a captar a atenção dos adeptos/fans, para
desse modo, acrescentar valor à indústria desportiva e do entretenimento e
contribuir para a alegria e o envolvimento dos seus adeptos/fãs e
diversos stakeholders.
Bibliografia:
https://apbasketball.blogspot.com/2014_03_01_archive.html
01/02/2026
António Pereira é ex-jogador de basquetebol da Associação Académica de Coimbra, e do Clube Académico de Coimbra (CAC), pelo qual se sagrou bicampeão nacional. Foi igualmente treinador da equipa sénior de basquetebol da Associação Académica de Coimbra (AAC), conduzindo-a à conquista do título de campeão nacional. Nesse período, liderou ainda uma digressão da equipa pelos Estados Unidos da América, onde competiu frente a universidades norte-americanas. Em 1984, orientou a equipa de juniores do Sport Clube Conimbricense alcançando a Fase Final nacional.
Foi pioneiro em Portugal na observação, análise e caracterização de jogadores de basquetebol, tendo a sua atividade de aconselhamento contribuído de forma decisiva para a integração de várias centenas de atletas no campeonato português e em competições africanos. Muitos destes jogadores alcançaram elevados níveis de reconhecimento, através da conquista de títulos, do cumprimento de objetivos coletivos e da obtenção de posições de relevo nos principais rankings estatísticos da modalidade.
É licenciado em Comunicação Organizacional, com especializações em Comunicação de Marketing e Comunicação de Relações Públicas, e detém o grau de mestre em Marketing e Comunicação. A sua dissertação de mestrado incidiu sobre a temática “A Responsabilidade Social das Organizações Desportivas e dos Atletas Profissionais: um estudo em Portugal e nos Estados Unidos da América”.
Desenvolve atividade regular como autor e analista na área da Gestão do Desporto, colaborando com diversos órgãos de comunicação social, entre os quais A Bola, Diário de Coimbra e As Beiras, bem como em plataformas digitais dedicadas ao basquetebol e à gestão desportiva.
Ao longo da época de 2019/2020, publicou um estudo de referência sobre o basquetebol português, no qual analisou diversas dimensões da gestão da modalidade, com particular enfoque na comunicação e na análise do jogo, designadamente nomeadamente a afluência média de adeptos por partida, variações pontuais de resultados, bem como tempo de utilização de jogadores portugueses e estrangeiros, entre outros relevantes.
Links:
https://ideiasparaobasquetebol.blogspot.com/
https://apbasketball.blogspot.com/
https://www.linkedin.com/in/antonio-pereira-consultadoria/
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