Proposta de Documento Estratégico de Desenvolvimento do Basquetebol Português - 2026/2036 - António Pereira


 

Razão de ser da Proposta de Documento Estratégico - Plano de Desenvolvimento do Basquetebol Português 2026-2036

Comecei a jogar basquetebol em 1969 e, pouco depois, desenvolvi interesse por outras vertentes da modalidade para além da prática competitiva. Em 1972 tive a oportunidade de assistir, pela primeira vez, a jogos do campeonato universitário norte-americano, gravados em sistema Super-8, o que despertou a minha curiosidade por novas abordagens ao jogo e à sua organização.

A partir daí (1972), passei a adquirir revistas especializadas estrangeiras — inicialmente de Espanha e de França, mais tarde de Itália e dos Estados Unidos — que me permitiu acompanhar tendências de modelos de jogo, de organizações desportivas e na importância da comunicação, marketing e promoção do jogo.

Com o tempo, compreendi que a gestão da modalidade não se esgota na dimensão desportiva: exige igualmente uma forte componente de comunicação, marketing e promoção do espetáculo, elementos essenciais para a sua sustentabilidade e crescimento.

As revistas deram lugar à internet e, hoje, recebo centenas de email semanais, com informação relevante sobre a gestão de organizações desportivas, comunicação, marketing, desenvolvimento de marcas em diferentes sectores, e sobre ensino do jogo que procuro filtrar e analisar.

Nas eleições de 2010 e 2014 procurei contribuir para o debate público através da publicação de diversos textos sobre a gestão do basquetebol, defendendo a necessidade de uma mudança de paradigma: deixar de encarar a modalidade apenas como prática desportiva e passar a tratá-la também como uma marca inserida na indústria do desporto e do entretenimento.

A experiência acumulada ao longo de vários anos, em diferentes contextos e geografias, contactando com diversas culturas e realidades, aliada à formação académica que adquiri, permitiu-me reunir uma visão estruturada que sustenta o presente documento.

Partilho-o com todos os que desejam que o basquetebol recupere o prestígio de um passado ainda relativamente recente e construa um futuro sólido e sustentável.

 

António Pereira

 

1. Enquadramento Estratégico

O presente documento estabelece as linhas orientadoras para o desenvolvimento sustentado do basquetebol nacional, enquadradas numa reflexão estratégica sobre o propósito, o posicionamento e a atuação da Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB).

O respetivo plano de desenvolvimento articula-se com o Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo (PNDD), com horizonte até 2036, visando contribuir para a transformação do panorama desportivo nacional.

A estratégia estrutura-se ao longo do percurso do praticante — desde a iniciação até à competição sénior — integrando as dimensões da formação, competição, comunicação e governação.

Abrange ainda áreas como a Escola Nacional de Basquetebol e a sua importância, a sustentabilidade da FPB e seus recursos humanos (colaboradores, jogadores, treinadores, juízes, dirigentes).  

Assume como objetivo central a modernização do basquetebol português, reforçando a sua relevância desportiva, social e económica, e posicionando-o de forma competitiva na indústria desportiva e do entretenimento.

  

2. Diagnóstico Institucional da FPB

 

Análise da Situação 

  • Ausência de uma visão estratégica comum para o desenvolvimento do basquetebol nacional;
  • Redefinição de uma missão e visão estratégica para o basquetebol português;
  • Cultura Organizacional da FPB e como ela se pode enquadrar com os diversos basquetes que deve gerir;
  • Papel institucional pouco claro enquanto organização, tendo como exemplo a sobreposição entre a gestão de competições profissionais e a sua missão estatutária;
  • Missão estatutária centrada na promoção, regulamentação e direção da prática do basquetebol, na gestão das seleções nacionais e na representação internacional da modalidade;
  • Estrutura de recursos humanos desajustada às exigências atuais do basquetebol moderno, nomeadamente na área competição;
  • Défice de participação efetiva dos clubes e demais stakeholders nos processos de decisão relativos à gestão da modalidade e das competições;
  • Fraco envolvimento do público e dos adeptos/fans com o basquetebol;
  • Gestão de marketing pouco relevante e plano de comunicação desajustado às exigências da indústria do desporto e do entretenimento.
  • Fraca prestação das seleções nacionais nos escalões de formação sendo possível identificar casos raros de exceção.


Necessidades Identificadas 

É fundamental que a FPB:

  • Clarifique a sua missão, visão e o propósito do ponto de vista estratégico;
  • Criar uma cultura de excelência em todas as áreas em que intervêm;
  • Se afirme como uma organização mais ágil, eficiente e orientada para resultados;

·         Fortalecer a gestão, a estrutura de liderança e a tomada de decisões para fortalecer todas as equipas de trabalho;

  • Trabalhe em colaboração estreita com Associações de Basquetebol Regionais nas diversas áreas – apresentação, desenvolvimento, competição e apresentação do basquetebol a diversos stakeholders;
  • Reforce a proximidade aos clubes, atletas e stakeholders;
  • Melhore a capacidade de análise, decisão e implementação de programa ou ações;
  • Dispor de recursos humanos qualificados e adequados aos desafios atuais;

·         Alinhar a gestão desportiva com gestão do marketing, gestão da comunicação, gestão financeira e relações institucionais de forma a valorizar a marca “Basquetebol”;

  • Reforce a ligação emocional entre o basquetebol e o público;
  • Estabelecer um código de conduta;

 

3. Área Desportiva

 

3.1. Iniciação

Público-alvo

Jovens dos 4/6 anos aos 12 anos.

Objetivo Estratégico

Promover o primeiro contacto com o basquetebol de forma inclusiva, lúdica e estruturada, criando bases sólidas para a continuidade da prática desportiva.

Linhas de Ação

  • Implementação de um programa nacional de apresentação do basquetebol no contexto escolar;
  • Desenvolvimento e consolidação do MiniBasket, com foco no aumento do número de praticantes e na qualidade da experiência desportiva;
  • Aplicação do programa “100 Minis” em todos os clubes;

 

3.2. Formação/Desenvolvimento de jovens jogadores

Público-alvo

Escalões Sub-12, Sub-14, Sub-16 e Sub-18.

Objetivos Estratégicos

  • Reter e fidelizar praticantes ao longo do seu percurso formativo;
  • Desenvolvimento de potencial talento de jovens jogadores;
  • Desenvolver competências técnicas, táticas e comportamentais adequadas a cada etapa de desenvolvimento;
  • Compreender e respeitar a realidade competitiva específica de cada escalão;
  • O nível de exigência depende em última análise do nível competitivo em que cada organização está envolvida;

Linhas de Ação

  • Adequação dos modelos competitivos às realidades regionais e nacionais;
  • Implementação de uma escala progressiva de exigência, evolução competitiva e grau de dificuldade;
  • Harmonização entre formação desportiva, desenvolvimento individual e contexto competitivo.
  • Prever a subida de escalão não por idade biológica, mas sim por maturação de cada jogador.

 

3.3. Competição

Público-alvo

Stakeholders do basquetebol (clubes, atletas, treinadores, dirigentes, juízes, patrocinadores, parceiros, entidades organizadoras e adeptos/fans).

Objetivos Estratégicos

  • Promover a marca “Basquetebol Tuga”;
  • Definir claramente a visão, o propósito e o papel de cada nível competitivo;
  • Reforçar a coerência entre competição, formação e desenvolvimento do talento;
  • Garantir equilíbrio competitivo e sustentabilidade dos quadros competitivos.
  • Coerência estratégica entre os diversos níveis de competição.

Linhas de Ação

  • Avaliação das vantagens e desvantagens da eventual junção do 3.º e 4.º níveis de competição;
  • Promoção de uma dinâmica zonal nos quadros competitivos do 3.º e 4.º níveis;
  • Definição, para o quadriénio, do número máximo de jogadores não formados localmente na Liga Portuguesa de Basquetebol;
  • Clarificação do propósito da Proliga e das suas implicações ao nível da utilização de jogadores formados localmente e não formados localmente.

 

3.4. 3x3

Lançamento de uma competição nacional de 3x3, baseada num sistema de ranking, adaptado às idades dos praticantes (escalões).

 

Linhas de Ação

  • Promoção do basquetebol 3x3, em contexto de pavilhão e ao ar livre, enquanto formato acessível e apelativo;

 

3.5. BCR

Pretende-se dar uma maior visibilidade a esta variante do basquetebol, sendo que o aumento de praticantes de ambos os géneros deve ser uma prioridade.

Praticado em mais de cem países e com o estatuto de modalidade Paralímpica, o BCR deve refletir os valores da FPB – inclusão, responsabilidade e respeito.

 

3.6. Basquetebol Informal

 

3.6.1 O Basket for Life

É uma variante do basquetebol adaptada, praticada sem corrida, que privilegia o jogo a andar e a prática informal da modalidade, continuando a unir as pessoas à volta da paixão do basquetebol.

Tem como seu propósito o proporcionar a prática do basquetebol através de uma experiência desportiva segura, acessível e prazerosa, permitindo aos praticantes manterem-se fisicamente ativos, promoverem o bem-estar e reforçarem a socialização através do basquetebol.

Esta modalidade destina-se, sobretudo, a adultos com 50 ou mais anos, de ambos os géneros, que procuram uma atividade recreativa regular, ajustada às suas capacidades físicas, sem abdicar dos valores essenciais do jogo: cooperação, competição saudável e convívio.

O Basket for Life assume igualmente uma dimensão social relevante, ao fomentar a inclusão, o envelhecimento ativo e a participação ao longo da vida, princípios que se alinham com os valores estruturantes que devem orientar a gestão e a ação da Federação Portuguesa de Basquetebol.

Desta forma, a modalidade contribui para alargar a base de praticantes, reforçar a ligação da comunidade ao basquetebol e afirmar a FPB como uma entidade promotora de saúde, inclusão e bem-estar social.

 

3.6.2. Basquetebol lúdico

Todos os praticantes são importantes para o basquetebol e a FPB deve ter consciência de que nem todos os jovens querem praticar o basquetebol num modelo competitivo, isto é não pretendem ser jogadores de basquetebol numa determinada fase da sua experiência ou contacto com a modalidade.

Desta forma deve ser prevista a realização de competições regionais ou zonais para esta tipologia de equipas, por forma a fidelizar os jovens e fazê-los adeptos/fans para a vida.

 

3.7. Basquetebol Master

É neste sentido que devemos encarar o basquetebol master: uma prática destinada a atletas com mais de 35 anos que desejam continuar a jogar regularmente, expressando o prazer e o gosto pelo basquetebol.

Esta vertente reflete a continuidade da modalidade ao longo da vida e a postura de verdadeiros adeptos comprometidos com o basquetebol para sempre.

  


4. Escola Nacional de Basquetebol

 

4.1. Modelo Operacional da Escola Nacional de Basquetebol

 

4.1.1. Enquadramento

A Escola Nacional de Basquetebol (ENB) constitui a estrutura central de formação técnica e pedagógica da modalidade, responsável pela qualificação inicial e contínua dos agentes desportivos, assegurando alinhamento metodológico nacional e atualização permanente face à evolução do jogo.

 

4.1.2. Missão

Desenvolver e disseminar conhecimento técnico, pedagógico e metodológico de excelência, garantindo a formação de treinadores altamente qualificados.

 

4.1.3. Visão

Afirmar-se como centro de referência nacional e internacional no domínio da formação em basquetebol na área dos treinadores.

 

Objetivos Estratégicos

  • Definir conteúdos formativos alinhados com a realidade atual da técnica e tática individual ofensiva e defensiva e coletiva, considerando as exigências dos diferentes níveis competitivos;
  • Garantir coerência metodológica entre os diversos graus de formação, promovendo uma progressão pedagógica estruturada;
  • Assegurar a atualização permanente dos conteúdos técnicos, em consonância com a evolução do jogo;
  • Posicionar a Escola Nacional como centro de referência no domínio do conhecimento técnico, pedagógico e metodológico do basquetebol português.

 

4.2. Papel do Coordenador da Escola Nacional

O Coordenador da ENB, assume uma função estruturante no modelo formativo, garantindo qualidade pedagógica, acompanhamento técnico e alinhamento institucional.

 

Responsabilidades Estratégicas

  • Reforçar o enquadramento pedagógico dos cursos, assegurando coerência metodológica e exigência formativa;
  • Acompanhar os formandos ao longo do seu percurso, promovendo proximidade, orientação e mentoria;
  • Assegurar ligação direta e permanente à FPB, garantindo alinhamento estratégico com os objetivos federativos;
  • Atuar como mentor dos formandos, promovendo reflexão crítica e desenvolvimento profissional.

 

4.3. Organização e Modelo Operacional

  • Definir claramente o perfil e os critérios de seleção dos coordenadores;
  • Estruturar uma distribuição geográfica equilibrada, garantindo cobertura nacional;
  • Estabelecer um modelo transparente de compensação financeira, adequado às responsabilidades assumidas;
  • Melhorar a plataforma digital de acesso dos formandos a cursos, estágios e conteúdos formativos;

• Reforçar, na fase inicial dos cursos de Grau I, os conteúdos específicos relativos à formação de monitores de Minibasquetebol, assegurando uma abordagem estruturada e valorizando a importância da formação de base.

  • Definir critérios de avaliação claros, objetivos e mensuráveis;
  • Garantir rigor e uniformidade na aplicação desses critérios em todo o território.

 

4.4. Impacto Esperado

A médio e longo prazo, o modelo operacional da ENB deverá:

  • Elevar o nível técnico médio dos treinadores nacionais;
  • Uniformizar critérios metodológicos;
  • Reforçar a identidade técnica do basquetebol português;
  • Melhorar qualidade da formação de atletas;
  • Aumentar competitividade internacional.

 


5. Comunicação e Marketing

 

Objetivos Estratégicos

Valorizar o basquetebol enquanto produto desportivo e de entretenimento, reforçando a sua visibilidade, identidade, audiências, ligação aos públicos e stakeholders.

Gerir a modalidade com um conceito de marca (Gestão Desportiva; Económica e Financeira - através de uma gestão desportiva, gestão financeira e gestão do marketing e comunicação), alinhado com os princípios ESG;

Conhecer e conseguir o envolvimento/comprometer os adeptos/fans com o espetáculo basquetebol por forma a aumentar o número de espetadores nos jogos ao vivo, audiências, captação de patrocinadores e parceiros, e vendas de produtos de merchandising;

Definir os objetivos de comunicação.

Definir os objetivos de marketing.

Aumentar a presença digital.

 

Linhas de Ação

  • Desenvolvimento de um projeto integrado de comunicação;
  • Definir e implementar uma Estratégia Comercial que permita valorizar a FPB, competições, pontos altos e seleções nacionais;
  • Adequação das estratégias de comunicação às especificidades de cada competição;
  • Valorização dos momentos-chave e pontos altos das competições;
  • Criação de narrativas consistentes que reforcem o posicionamento do basquetebol.

 

Os 8 P’s – da Marca “Basquetebol Tuga”

- Pessoas --- Significativo e influente na vida dos adeptos/fans;

- Público --- Ver os adeptos/fans não como público, mas como comunidades;

- Produto --- O nosso produto tem de ser atrativo (gerir o core da modalidade);

- Posicionamento --- Como queremos que o “Basquetebol Tuga” seja percebido na mente do adepto/fan;

- Promessa --- Aquilo que declaramos que vamos entregar e que justifica a escolha dos adeptos/fans em vez de outras formas de entretenimento ou modalidades desportivas;

- Promoção --- Conquistar público, adeptos/fans; audiências e todos os stakeholders;

- Plataformas --- Uso de diferentes meios para comunicar com o público, adeptos/fans, stakeholders e interagir com eles;

- Paixão --- O amor da nossa vida;

 

5.1. Objetivos de comunicação

  • Comunicar a marca “Basquetebol Tuga”;
  • Fazer crescer a marca “Basquetebol Tuga”;
  • Planear e implementar uma política de comunicação;
  • Divulgar as atividades das competições, das equipas e promoção dos parceiros; 
  • Envolver os adeptos/fans com a competição, clubes e equipa;
  • Dar notoriedade às competições, clubes e parceiros;
  • Usar hashtags relevantes, identificando “logos” nas publicações das redes sociais e site institucional da FPB;
  • Identificar patrocinadores com hashtags nas publicações e seus “logos” para aumentar reconhecimento das suas marcas;
  • Publicar conteúdos relevantes e verificar tendências de cada rede social; 
  • Conseguir o comprometimento dos adeptos/fans;
  • Envolver antigos treinadores e atletas de referência em campanhas de comunicação com as quais se identifiquem e que valorizam o seu percurso e contributo para o basquetebol;

 

5.2. Objetivos de marketing 

  • Identificar o porquê do insucesso do basquetebol a níveis identificados e sua força no mercado da indústria desportiva e do entretenimento;
  • Planear e implementar uma política de marketing;
  • Estratégia comercial – Corporate – podendo adotar modelos comerciais exclusivos;
  • Atrair o público jovem e adulto para os jogos de basquetebol ao vivo;
  • Incentivar a interação dos consumidores desportivos com a FPB através das redes sociais;
  • Incentivar a interação dos consumidores desportivos com os clubes através das redes sociais;
  • Criar conteúdos relevantes para poder partilhar com os adeptos/fans;
  • Promover conteúdos que aumentem a interação entre organizações desportivas e adeptos/fans;
  • Criar um público regular e fiel;
  • Captar novos adeptos/fans;
  • Reter os adeptos/fans;
  • Fidelizar os adeptos/fans;
  • Organização de eventos;
  • Captação de patrocinadores – Sponsorização;
  • Comercialização de produtos – Merchandising;
  • Criar um conselho consultivo de adeptos/fans;
  • Envolver antigos treinadores e atletas de referência em campanhas de marketing com as quais se identifiquem e que valorizam o seu percurso e contributo para o basquetebol;

Pretende-se que o basquetebol se diferencie através de proporcionar uma melhor experiência aos adeptos/fans 

  • Criando uma melhor experiência dos adeptos/fans;
  • Vender pertença, identidade e emoção;
  • Segmentar os adeptos/fans, personalizando as experiências para cada grupo de acordo com as suas necessidades;
  • Criar uma ligação emocional com adeptos/fans;
  • Recebendo feedback em tempo real e trabalhando nisso de imediato;
  • Proporcionar uma experiência consistente utilizando múltiplos canais;
  • Assumindo um compromisso de longo prazo para satisfação dos adeptos/fans;  
  • Fazer da marca “Basquetebol Tuga” algo de pessoal;
  • Programar, acompanhar e desenvolver as equipas de trabalho através do treino, aprendizagem e treino em grupo;
  • Assumir um compromisso claro de promoção dos patrocinadores, as suas marcas e seus produtos;
  • Medir o retorno e mostrando-o aos patrocinadores, clubes e atletas;
  • Criar uma vantagem competitiva com a experiência que proporcionamos aos adeptos/fans;  
  • Criar uma comunidade de adeptos/fans que através da interação conheçam clubes, atletas, treinadores e patrocinadores;

 

Relação com Startups

  • Desenvolvimento de programas de inovação nas áreas do desporto, saúde, comunicação, relações públicas e ativos digitais, com o objetivo de gerar valor sustentável para a FPB, clubes, exposição dos atletas nas diferentes plataformas digitais, melhoria da experiência dos adeptos via tecnologia, adesão e aumento do número de praticantes.
  • Pretende-se integrar inovação aplicada no modelo de desenvolvimento da marca “Basquetebol Tuga”, mobilizando os clubes como plataformas de experimentação, validação e escalabilidade de soluções que reforcem a sua sustentabilidade nas diferentes dimensões de atuação.
  • As soluções desenvolvidas serão testadas, monitorizadas e progressivamente ajustadas ao longo dos programas a definir, e de acordo com o Plano do Desenvolvimento Estratégico do Basquetebol Português. 
  • Os resultados serão avaliados com base em métricas e indicadores de desempenho (KPIs), assegurando rigor na medição de impacto e criação efetiva de valor.

 

 

 

6. Sustentabilidade

A sustentabilidade de uma federação desportiva deve ser entendida como um compromisso estratégico de longo prazo, assente nos princípios ESG — Ambiental, Social e de Governação — e numa gestão responsável dos seus recursos humanos.

Mais do que uma exigência reputacional, trata-se de um fator crítico para a credibilidade institucional, a eficiência organizacional e a criação de valor para a comunidade desportiva.

 

Objetivos

No domínio ambiental, a federação deve adotar práticas que reduzam a sua pegada ecológica, promovendo a utilização eficiente de recursos, a redução de resíduos e emissões, bem como a incorporação de critérios ambientais na organização de competições, eventos e deslocações.

A sensibilização de clubes, atletas e adeptos/fans para comportamentos sustentáveis é igualmente parte integrante deste compromisso, reforçando o papel pedagógico do desporto na sociedade.

A dimensão social assume especial relevância numa federação desportiva.

A promoção da igualdade de oportunidades, da inclusão, da diversidade e da segurança é central, tanto no acesso à prática desportiva como na gestão interna.

Os recursos humanos devem ser tratados como um ativo estratégico, através de políticas claras de recrutamento, retenção e desenvolvimento de competências, avaliação de desempenho e bem-estar organizacional. A valorização do trabalho, a formação contínua e a criação de ambientes de trabalho saudáveis contribuem para equipas mais motivadas, éticas e alinhadas com a missão federativa.

Ao nível da governação, a sustentabilidade exige transparência, responsabilidade e integridade nos processos de decisão.

Estruturas de governação claras, mecanismos de prestação de contas, gestão rigorosa dos recursos financeiros e respeito pelos princípios éticos fortalecem a confiança dos stakeholders — clubes, atletas, colaboradores, patrocinadores e entidades públicas. Uma governação sólida é também fundamental para assegurar a coerência entre estratégia, políticas de recursos humanos e objetivos ESG.

No que diz respeito aos recursos humanos na área desportiva, existe uma preocupação com a sustentabilidade do basquetebol em diversas áreas.

No número de atletas capazes de chegarem às competições seniores, em particular à capacidade de o sistema gerar jogadores em quantidade e com qualidade suficientes para alcançar o mais alto nível competitivo e integrar, com mérito, as seleções nacionais.

A esta realidade acrescem preocupações relacionadas com o número e a qualificação dos treinadores que intervêm nos diferentes escalões.

A formação adequada, assente em conteúdos técnicos, táticos, físicos e pedagógicos ajustados às etapas de desenvolvimento, é determinante tanto para a evolução dos jovens atletas como para a competitividade nos escalões seniores.

Torna-se, por isso, fundamental que cada clube disponha de treinadores em número suficiente e com competências adequadas às exigências do contexto competitivo e formativo.

É igualmente reconhecida a insuficiência do número de juízes em atividade, situação que constitui um fator de risco para o regular funcionamento das competições. Este desafio exige uma atenção específica e uma atuação estruturada, a desenvolver em estreita articulação com as Associações de Basquetebol Distritais, e Associação Nacional de Juízes de Basquetebol (ANJB), no sentido de recrutar, formar e reter oficiais de jogo qualificados.

Por fim, considerando que uma parte significativa dos dirigentes desportivos são pais que acompanham o percurso desportivo das suas filhas/os, torna-se imperioso investir na sua formação.

Só assim será possível dotar os clubes de dirigentes mais preparados, experientes e com conhecimentos sólidos nas diversas áreas da gestão desportiva, contribuindo para organizações mais sustentáveis, profissionais e alinhadas com os objetivos estratégicos do basquetebol.

 

Linhas de Ação

De acordo com o texto apresentado, seguem-se exemplos concretos de ações que uma federação desportiva pode implementar na área da sustentabilidade, organizadas pelos três pilares ESG e articuladas com a gestão de recursos humanos:

 

6.1. Dimensão Ambiental (Environmental)

  • Definir um plano de sustentabilidade ambiental para competições e eventos, incluindo critérios obrigatórios de redução de resíduos, reciclagem e uso eficiente de energia e água.
  • Digitalizar processos administrativos (inscrições, relatórios, comunicações) para reduzir o consumo de papel.
  • Estabelecer parcerias com entidades ambientais para ações de sensibilização dirigidas a atletas, treinadores, clubes e adeptos/fans.
  • Criar indicadores de monitorização da pegada ecológica da federação e das principais competições.

 

6.2. Dimensão Social (Social)

  • Desenvolver programas de igualdade de acesso à prática desportiva, promovendo o basquetebol feminino, o desporto adaptado e a inclusão social.
  • Implementar políticas formais de igualdade, diversidade e não discriminação, aplicáveis a atletas, colaboradores e dirigentes.
  • Criar um plano de desenvolvimento de recursos humanos, com formação contínua para treinadores, juízes, dirigentes e colaboradores federativos.
  • Estabelecer programas de bem-estar organizacional, incluindo prevenção do burnout, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e apoio psicossocial.
  • Reforçar políticas de proteção de menores e integridade desportiva, com formação obrigatória e canais de denúncia seguros.

 

6.3. Dimensão de Governação (Governance)

  • Clarificar a estrutura de governação, com definição de responsabilidades, competências e limites de decisão dos órgãos federativos.
  • Implementar códigos de ética e conduta, aplicáveis a dirigentes, colaboradores, árbitros e agentes desportivos.
  • Reforçar mecanismos de transparência financeira, com relatórios públicos, auditorias regulares e critérios claros de afetação de recursos.
  • Criar sistemas de avaliação de desempenho organizacional, alinhados com objetivos estratégicos e indicadores ESG.
  • Promover a participação dos stakeholders através de processos de consulta e diálogo estruturado com clubes, associações e atletas.

Em síntese, a integração dos princípios ESG com uma gestão moderna e responsável dos recursos humanos permite à Federação Portuguesa de Basquetebol cumprir a sua missão de forma sustentável, reforçando o seu impacto positivo no desporto e na sociedade.

A sustentabilidade deixa, assim, de ser um conceito abstrato para se afirmar como uma prática concreta, transversal e orientada para o futuro.

 

6.4. Sustentabilidade Organizacional – Impacto Estratégico

 

Melhoria do retorno do investimento (ROI) em iniciativas sustentáveis

A adoção de relatórios padronizados e auditáveis de impacto ESG permite demonstrar valor económico e reputacional aos patrocinadores, parceiros institucionais e reguladores, facilitando a renovação de contratos e a atração de novos investidores.

 

Redução do risco reputacional e regulatório

A definição de métricas robustas e transparentes em áreas como emissões de carbono, gestão de resíduos, diversidade e governação reforça a credibilidade das organizações e antecipa exigências legais e de mercado, minimizando riscos de imagem e conformidade.

 

Acesso a financiamento verde e instrumentos dedicados

Clubes, federações, associações de basquetebol, que integrem critérios ESG nos seus projetos aumentam a elegibilidade para fundos europeus, linhas de crédito sustentáveis e programas de investimento verde, particularmente relevantes para modernização de infraestruturas, eficiência energética e mobilidade sustentável.

 

Integração da sustentabilidade na organização de eventos

A incorporação sistemática de critérios ambientais e sociais em competições e eventos implica novos requisitos contratuais para organizadores e fornecedores, com impacto em logística, custos operacionais e cadeias de abastecimento, mas também gera ganhos de eficiência e diferenciação competitiva.

 

Alinhamento com padrões internacionais do desporto

Federação, AB e Clubes deverão desenvolver planos estruturados de descarbonização, gestão de resíduos, inclusão e governação alinhados com standards internacionais (ex.: licenciamento de competições europeias e requisitos ESG de entidades como a FIBA), potenciando acesso a apoios financeiros e reforçando a competitividade institucional.


Sugestão de enquadramento operacional 

Definir KPIs da ESG comuns para FPB, AB e clubes.

  1. Criar um sistema de reporte anual padronizado (ex.: relatório de sustentabilidade do basquetebol português).
  2. Formar mentores e dirigentes em gestão sustentável e captação de financiamento verde.
  3. Certificar eventos sustentáveis (selo “Evento Basquetebol Sustentável”).
  4. Integrar sustentabilidade na formação de treinadores e dirigentes.

 


7. Certificação

É fundamental que a Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) conheça, de forma objetiva e sistemática, o nível de maturidade organizacional dos clubes, bem como o grau de desenvolvimento da sua atividade desportiva.

Nesse sentido, torna-se relevante a recolha estruturada de dados que permita capacitar, qualificar e valorizar os diversos agentes desportivos que intervêm no basquetebol, potenciando o desempenho das suas funções ao mais alto nível das suas competências.

A certificação deve ser encarada como uma oportunidade estratégica que, com base nos dados recolhidos, permita identificar o estado da modalidade nos seus diferentes domínios (organizacional, formativo, técnico e institucional), ajustando e orientando de forma mais eficaz o plano de desenvolvimento do basquetebol nacional.

O processo de certificação deverá constituir um instrumento de melhoria contínua, incentivando os clubes a elevar progressivamente os padrões de qualidade nos seus processos formativos e na gestão dos diversos agentes desportivos.

Para esse efeito, deverão ser definidos critérios mínimos, considerados essenciais numa fase inicial, que permitam o mapeamento da realidade dos clubes e cujo cumprimento seja condição necessária para a obtenção da certificação.

O modelo de certificação deverá ainda prever a existência de diferentes níveis ou patamares, adequados aos distintos tipos de organizações desportivas, reconhecendo a diversidade de contextos, dimensões e missões dos clubes.

A certificação será estruturada por critérios, sendo que cada critério deverá assentar em premissas claras, objetivos mensuráveis e indicadores verificáveis, contribuindo para uma pontuação global no âmbito do processo de certificação da FPB.

O regulamento de certificação deverá definir de forma inequívoca as diferentes fases do processo, estabelecendo prazos, calendarização e a documentação a apresentar em cada etapa.

A médio e longo prazo, a certificação da FPB deverá traduzir-se em vantagens competitivas para os clubes certificados, nomeadamente ao nível do recrutamento de atletas, do reforço da credibilidade junto dos pais e encarregados de educação, da atratividade para patrocinadores e parceiros, bem como do reconhecimento institucional, enquanto entidades promotoras de uma formação desportiva de excelência.

 

 


8. Indicadores de Sucesso e Mecanismos de Monitorização

  

A implementação da presente estratégia deverá ser acompanhada por um sistema estruturado de monitorização e avaliação, assente em indicadores quantitativos e qualitativos, permitindo medir impacto, corrigir desvios e apoiar a tomada de decisão.

 

8.1. Iniciação

Indicadores de Sucesso

  • Número total de praticantes dos 4 aos 12 anos;
  • Aumento do número de praticantes dos 4 aos 12 anos;
  • Taxa de crescimento anual de praticantes no MiniBasket;
  • Número de escolas integradas nos programas de apresentação do basquetebol;
  • Número de eventos/atividades de 3x3 realizados (pavilhão e outdoor);
  • Taxa de transição de praticantes da iniciação para os escalões de formação;
  • Taxa de transição de praticantes dos escalões de formação para as equipas seniores e por nível competitivo;
  • Taxa de transição de praticantes que representaram as diferentes seleções nacional dos escalões de formação e que chegaram à seleção Nacional sénior;
  • Número de praticantes do basquetebol informal ao nível juvenil;
  • Número de praticantes do BCR;
  • Número de praticantes do BCR por género;
  • Número de praticantes do Basquetebol Master;
  • Número de praticantes do Basquetebol Master por género;

Mecanismos de Monitorização

  • Relatórios semestrais das associações regionais;
  • Base de dados nacional de praticantes atualizada anualmente;
  • Avaliação qualitativa da experiência dos praticantes e encarregados de educação.

 

8.2. Formação

Indicadores de Sucesso

  • Taxa de retenção de atletas entre escalões (Sub-12 Sub-14 Sub-16 Sub-18);
  • Número médio de atletas por escalão e por região;
  • Equilíbrio competitivo (diferença média de resultados);
  • Percentagem de atletas que permanecem no sistema competitivo após os 16 anos.
  • Número de atletas que chegam à Seleção Nacional Sénior.

Mecanismos de Monitorização

  • Análise anual dos quadros competitivos;
  • Relatórios técnicos dos coordenadores regionais;
  • Reuniões anuais de avaliação com clubes e associações.

 

8.3. Competição

Indicadores de Sucesso

  • Número de clubes participantes por nível competitivo;
  • Sustentabilidade dos quadros competitivos (equipas inscritas vs. desistências);
  • Percentagem de jogadores formados localmente por competição;
  • Grau de equilíbrio competitivo nos diferentes níveis;
  • Evolução da competitividade entre zonas/regiões.

Mecanismos de Monitorização

  • Avaliação anual dos regulamentos competitivos;
  • Análise estatística das competições;
  • Consulta periódica aos stakeholders (clubes, atletas, treinadores, juízes, patrocinadores e parceiros).

 

8.4. Escola Nacional de Basquetebol

Indicadores de Sucesso

  • Número de ações formativas realizadas;
  • Número de treinadores e atletas certificados;
  • Grau de alinhamento dos conteúdos com tendências técnicas identificadas;
  • Satisfação dos participantes nas ações formativas.

Mecanismos de Monitorização

  • Avaliação pós-formação;
  • Revisão bianual dos conteúdos programáticos;
  • Comité técnico-científico de acompanhamento.

 

8.5. Comunicação

Indicadores de Sucesso

  • Alcance e envolvimento nas plataformas digitais;
  • Crescimento da audiência das competições;
  • Número de conteúdos produzidos por competição;
  • Visibilidade mediática do basquetebol.

Mecanismos de Monitorização

  • Relatórios trimestrais de comunicação;
  • Análise de métricas digitais e audiências;
  • Avaliação do impacto dos momentos-chave e campanhas.

 

8.6. Certificação

Indicadores de Sucesso

  • Quantos clubes obtiveram a certificação;
  • Qual o grau competitivo de cada clube que submeteu a candidatura ao licenciamento de certificação.

Mecanismos de Monitorização

  • Dados inseridos na plataforma da certificação

 

Nota: Embora sejam referidos diversos fatores de sucesso e mecanismos de monotorização, o presente documento não integra um scoreboard estratégico, por traduzir uma posição de natureza pessoal e não um compromisso assumido por uma equipa de gestão.


“Para afirmar a sua relevância e sustentabilidade, o basquetebol tem de ser uma modalidade credível, coerente entre o que promete e o que entrega, reforçando a confiança junto de todos os seus stakeholders”, Antonio Pereira


 

9. Mapa Estratégico da FPB

 

Trazer o basquetebol para a era moderna do desporto

 

O Mapa Estratégico da Federação Portuguesa de Basquetebol traduz, de forma integrada e visualmente lógica, a relação entre diagnóstico, prioridades estratégicas, objetivos e impacto esperado.

Este mapa serve como instrumento de alinhamento institucional, apoio à decisão e monitorização da execução estratégica.

 

9.1. Missão da Federação Portuguesa de Basquetebol

Promover, desenvolver, regular e valorizar o basquetebol em Portugal, ao longo de todo o percurso do praticante — da iniciação à competição sénior — assegurando qualidade desportiva, sustentabilidade organizacional, relevância social e competitividade internacional, em articulação com clubes, associações de basquetebol, treinadores, atletas, juízes, parceiros e comunidade.

A FPB deve assumir-se como uma entidade agregadora da modalidade, responsável por garantir coerência estratégica entre formação, competição, seleções nacionais, comunicação, governação e sustentabilidade, criando condições para que o basquetebol seja praticado com excelência, inclusão e integridade, ao longo da vida.

 

9.2. Visão Estratégica da Federação Portuguesa de Basquetebol

Modernizar e valorizar o basquetebol português, tornando-o uma modalidade de referência no desporto nacional, sustentável, atrativa para o público, relevante para os parceiros e competitiva a nível internacional.

 

9.3. Propósito da Federação Portuguesa de Basquetebol

Levar o basquetebol português para a era moderna do desporto, tornando-o significativo na vida das pessoas, relevante para a sociedade, atrativo como produto de entretenimento e sustentável como ecossistema desportivo.

A FPB existe para criar ligação emocional entre o basquetebol e as comunidades, formar pessoas através dos valores do jogo, gerar experiências memoráveis para adeptos e parceiros, e posicionar o basquetebol como uma modalidade credível, contemporânea e competitiva — dentro e fora do campo.

 

9.4. Valores Federação Portuguesa de Basquetebol

Formação e Educação
Solidariedade e Integridade
Inclusão e Respeito
Sustentabilidade e Excelência
Transparência e Responsabilidade
Paixão e Tradição


9.5. Eixos Estratégicos

 

Eixo 1 – Desenvolvimento Desportivo

Objetivos: Garantir uma base alargada, qualificada e sustentável de praticantes e atletas.

- Objetivos Crucialmente Importantes - (WIGs – Wildly Important Goals)

Se este objetivo falhar, todo o sistema — formação, competição, seleções nacionais, público, audiências e sustentabilidade económica — fica comprometido.

  • Iniciação estruturada e massificada;
  • Formação progressiva e ajustada às realidades regionais;
  • Valorização da Escola Nacional de Basquetebol como centro de conhecimento;
  • Alinhamento entre formação, competição e seleções nacionais.

 

Eixo 2 – Competição e Produto Desportivo

Objetivos: Valorizar o espetáculo basquetebol enquanto produto desportivo e de entretenimento.

- Objetivos Crucialmente Importantes - (WIGs – Wildly Important Goals)

Sem um produto competitivo e apelativo, não há público, audiências, patrocinadores, parceiros nem retorno económico.

  • Clarificação do propósito de cada nível competitivo;
  • Equilíbrio e sustentabilidade dos quadros competitivos;
  • Valorização das competições seniores masculinas e femininas;
  • Criação e consolidação da marca agregadora do basquetebol nacional.

 

Eixo 3 – Público, Adeptos/fans e Mercado da Indústria Desportiva

Objetivos: Aumentar a base de público, fidelizar adeptos/fans e gerar valor económico.

- Objetivos Crucialmente Importantes - (WIGs – Wildly Important Goals)

O basquetebol disputa atenção com outras formas de entretenimento; sem adeptos, perde relevância.

  • Conhecimento aprofundado do público e dos adeptos/fans;
  • Estratégias de captação e fidelização de espectadores;
  • Desenvolvimento de merchandising e experiências no dia de jogo;
  • Captação e consolidação de parceiros e patrocinadores.

 

Eixo 4 – Marca, Comunicação e Digital

Objetivos: Reforçar a visibilidade, a notoriedade e a relevância do basquetebol.

- Objetivos Crucialmente Importantes - (WIGs – Wildly Important Goals)

A qualidade do jogo e da experiência depende diretamente das pessoas que o servem.

  • Presença estratégica e consistente nas plataformas digitais;
  • Comunicação diferenciada por competição e público-alvo;
  • Aumento das audiências televisivas;
  • Valorização dos momentos-chave e narrativas da modalidade;
  • Gestão integrada da marca basquetebol.

 

Eixo 5 – Governação, Organização e Recursos

Objetivos: Assegurar uma FPB moderna, eficiente e orientada para resultados.

- Objetivos Crucialmente Importantes - (WIGs – Wildly Important Goals)

Sem governação sólida, os restantes objetivos não são executáveis no longo prazo.

  • Clarificação do papel institucional e do propósito da FPB;
  • Colaboração estreita com Associações de Basquetebol Distritais no desenvolvimento dos diversos programas;
  • Estabelecer programas de colaboração com universidades e politécnicos;
  • Reforço da proximidade aos clubes e stakeholders;
  • Estrutura organizativa ágil e funcional;
  • Recursos humanos qualificados e alinhados com a estratégia;
  • Cultura de decisão baseada em dados e avaliação contínua.
  • Aplicar uma cultura de excelência em tudo o que se faz.
  • Adoção progressiva da IA nas diversas áreas da gestão e procedimentos.
  • Processo de certificação dos clubes.
  • Harmonização do Projeto Estratégico do Desenvolvimento do Basquetebol ao ciclo Olímpico (28/32 e 32/36).

 

9.6. Relação Causal do Mapa Estratégico

 

O mapa estratégico assenta numa lógica de causa–efeito:

  • Governação eficaz e recursos adequados permitem melhor planeamento e execução;
  • Comunicação forte e marca valorizada aumentam visibilidade e envolvimento;
  • Público fidelizado e mercado ativo geram sustentabilidade económica;
  • Competições valorizadas elevam o interesse e a qualidade do produto;
  • Desenvolvimento desportivo sólido assegura o futuro da modalidade.

 

9.7. Utilização do Mapa Estratégico

 

O presente mapa estratégico deverá:

  • Servir de referência para planos anuais de atividades;
  • Sustentar a definição de prioridades e investimentos;
  • Estar alinhado com os indicadores de sucesso e mecanismos de monitorização;
  • Ser revisto periodicamente em função da evolução da modalidade e do contexto.

 

Nota: O presente documento não integra um cronograma de implementação, por traduzir uma posição de natureza pessoal e não um compromisso assumido por uma equipa de gestão.

 


O basquetebol disputa a atenção dos públicos com múltiplas formas de entretenimento; por isso, deve colocar no centro da sua estratégia a satisfação dos adeptos/fans, audiências e parceiros, Antonio Pereira

  

10. Conclusão


O presente Projeto Estratégico afirma-se como um compromisso estruturante com a modernização e valorização do basquetebol português, colocando a Federação Portuguesa de Basquetebol no centro de um processo de transformação organizacional, desportiva e institucional, sob a marca agregadora “Basquetebol Tuga”.

A estratégia apresentada não se limita à definição de intenções. Estrutura uma intervenção integrada ao longo de todo o percurso do praticante — da iniciação à competição sénior — articulando formação, competição, comunicação, sustentabilidade, certificação e governação num modelo coerente e orientado para resultados.

A clarificação do papel institucional da FPB, o reforço da Escola Nacional de Basquetebol, a valorização da competição enquanto produto desportivo e de entretenimento, a consolidação da marca agregadora do basquetebol nacional e a adoção de princípios ESG como eixo transversal representam pilares fundamentais para garantir crescimento sustentado.

O sucesso desta estratégia dependerá, contudo, de três fatores críticos:

  1. Compromisso institucional efetivo na execução e monitorização das medidas propostas;
  2. Alinhamento estratégico com associações, clubes e demais stakeholders, promovendo uma cultura de corresponsabilização;
  3. Capacidade de decisão baseada em dados, acompanhada por indicadores claros e mecanismos de avaliação contínua.

A implementação deste plano deverá permitir:

  • Alargar e qualificar a base de praticantes;
  • Elevar o nível técnico de atletas e treinadores;
  • Reforçar a competitividade internacional;
  • Aumentar a visibilidade das suas competições;
  • Aumentar a relevância mediática e económica da modalidade;
  • Consolidar uma federação moderna, transparente e sustentável.

Mais do que um documento programático, este projeto constitui uma visão mobilizadora para a próxima década. A sua concretização exige liderança estratégica, disciplina na execução e uma cultura de excelência transversal a toda a estrutura federativa.

Modernizar o basquetebol português não é apenas uma ambição desportiva — é uma responsabilidade institucional.

O futuro da modalidade dependerá da capacidade coletiva de transformar esta visão estratégica em prática consistente, mensurável e sustentável ao longo dos ciclos olímpicos definidos.

Assim, o presente documento estabelece as bases para um novo ciclo de crescimento, identidade e competitividade do basquetebol nacional, orientado para resultados desportivos, relevância social e sustentabilidade a médio e longo prazo.

É necessário reunir toda a equipa: a equipa de gestão, as equipas de trabalho e todas as partes interessadas, envolvendo-as sob uma única visão – o “Basquetebol Tuga”.

 

Autor:

António Pereira

2026-02-08

 

António Pereira. é ex-jogador da Associação Académica de Coimbra, e do Clube Académico de Coimbra (CAC), pelo qual se sagrou bicampeão nacional do escalão de juniores, e ex-treinador da equipa sénior de basquetebol da Associação Académica de Coimbra (AAC), conduzindo-a à conquista do título de campeão nacional. Nesse período, liderou igualmente uma digressão da equipa pelos Estados Unidos da América, onde competiu com universidades norte-americanas. Em 1984, liderou a equipa de juniores do Sport Clube Conimbricense à Fase Final nacional.

Foi pioneiro em Portugal na observação, análise e caracterização de jogadores de basquetebol, tendo o seu trabalho de aconselhamento contribuído para a integração de várias centenas de atletas no campeonato português e em campeonatos africanos. Muitos destes jogadores alcançaram níveis de elevado reconhecimento, através da conquista de títulos, do cumprimento de objetivos coletivos e da obtenção de posições de destaque em rankings estatísticos da modalidade.

É licenciado em Comunicação Organizacional, com especializações em Comunicação de Marketing e Comunicação de Relações Públicas, e mestre em Marketing e Comunicação. A sua dissertação de mestrado incidiu sobre a temática “A Responsabilidade Social das Organizações Desportivas e dos Atletas Profissionais: um estudo em Portugal e nos Estados Unidos da América”.

Desenvolve atividade regular como autor e analista na área da Gestão do Desporto, colaborando com diversos órgãos de comunicação social, entre os quais A Bola, Diário de Coimbra e As Beiras, bem como em plataformas digitais dedicadas ao basquetebol e à gestão desportiva. Ao longo da época de 2019/2020, publicou um estudo de referência sobre o basquetebol português, abordando diferentes dimensões da gestão da modalidade, com particular enfoque na comunicação e na análise do jogo.

É um dos fundadores do blogue “Ideias para o Basquetebol”, um movimento agregador de pessoas que, de forma voluntária e desprendida, se dispuseram a partilhar as suas ideias sobre o basquetebol português.


Links:

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