Estudo sobre os quadros competitivos e impacto dos jogadores portugueses na Liga Betclic – Campeonato do 1º nível do Basquetebol Português - por António Pereira


Introdução

A recente publicação do livro Plano de Desenvolvimento do Basquetebol Português 2026-2036, levou-me a aprofundar a reflexão sobre alguns dos temas nele abordados na perspetiva de contribuir para melhorar o basquetebol português.

Mais do que identificar problemas e propor soluções, importa compreender de que forma essas ideias podem ser operacionalizadas, neste caso, na organização das competições, desde os escalões de formação até ao alto rendimento.

A questão central é simples: que modelo competitivo permitirá ao basquetebol português crescer de forma sustentada e afirmar-se como um verdadeiro produto desportivo e de entretenimento?

Uma futura "Liga Tuga" (ou outra designação comercial associada ao naming do sponsor da competição) deverá ser pensada não apenas como um campeonato, mas como uma marca capaz de disputar a atenção dos adeptos, gerar conteúdos relevantes, integrar soluções de inteligência artificial (IA) e proporcionar experiências diferenciadoras antes, durante e após cada jogo e inserida na indústria desportiva e do entretenimento.

Esta reflexão ganhou maior atualidade com a desistência do Imortal Luzigás da Liga Betclic e a consequente transmissão dos direitos desportivos ao Portimonense — possibilidade prevista nos regulamentos da Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) para clubes da mesma associação distrital.

Esta alteração teve impacto na organização das competições e levantou novas questões sobre a sustentabilidade do modelo competitivo.

Este problema levantou igualmente a questão sobre um possível alargamento por parte de alguns clubes.

Ao mesmo tempo, uma publicação nas redes sociais (Instagram), apresentava um estudo comparativo sobre a duração de diversos campeonatos nacionais europeus, o que motivou um conjunto de perguntas de partida:

  • Jogam-se muitos ou poucos jogos em Portugal quando comparado com outras ligas europeias?
  • O basquetebol português dispõe de jogadores nacionais suficientes para sustentar o atual número de equipas da Liga ou de um possível alargamento?
  • Qual o número ideal de equipas por nível de competição?
  • Qual é o perfil etário desses jogadores?
  • Qual o impacto dos jogadores com formação basquetebolística não portuguesa nas equipas e na competição?
  • Estão os atletas provenientes do escalão Sub-20 a conseguir integrar o principal campeonato nacional?
  • Sendo a Liga Betclic o topo da pirâmide competitiva, qual deve ser o seu verdadeiro propósito?
  • Que modelo competitivo será mais adequado perante a realidade evidenciada pelos dados?

 

Para responder a estas questões, desenvolveu-se o presente estudo através do uso de Inteligência Artificial. Foram submetidos prompts — mensagens ou instruções direcionadas à ferramenta, neste caso, o ChatGPT.

As respostas obtidas consolidam a conclusão do estudo e as ilações do autor.

 

Explicação do estudo

 

Estudo n.º 1 – Estrutura de Campeonatos Europeus

A primeira fase consistiu na análise comparativa da estrutura competitiva de onze países: Portugal, Espanha, França, Alemanha, Grécia, Itália, Turquia, Polónia, Bélgica/Países Baixos, Roménia e Inglaterra.

Para cada competição foram recolhidos os seguintes indicadores:

  1. País;
  2. Número de equipas participantes;
  3. Número de jogos da fase regular;
  4. Data de início da fase regular;
  5. Data da última jornada da fase regular;
  6. Data de conclusão dos playoffs.

Relativamente às datas da competição, a análise incidiu sobretudo sobre países com características comparáveis ao contexto português ou cujas equipas disputam regularmente competições europeias frente a clubes portugueses.

 

Estudo n.º 2 – Competições de Formação

Numa segunda fase deste estudo, analisou-se a duração das competições nacionais masculinas dos escalões Sub-14, Sub-16 e Sub-18, identificando:

  • Número de jogos realizados pelas equipas campeãs nacionais;
  • Data do primeiro jogo;
  • Data do último jogo da época.

Esta informação permite compreender o volume competitivo proporcionado aos jovens atletas ao longo do seu percurso formativo.

 

Estudo n.º 3 – Competições Europeias

A participação nas competições europeias por parte dos clubes, condiciona significativamente a gestão desportiva (recursos humanos/atletas e outros tipos de elementos da equipa) e financeira dos clubes.

Assim, foi igualmente analisado o número potencial de jogos realizados nas principais competições internacionais:

  • EuroLeague;
  • EuroCup;
  • Basketball Champions League (BCL);
  • FIBA Europe Cup.

Embora Portugal não tenha representantes na EuroLeague nem na EuroCup, a comparação permite enquadrar a realidade competitiva dos clubes portugueses que participam na BCL e na FIBA Europe Cup.

 

Estudo n.º 4 – Caracterização Estatística da Liga Betclic

Na quarta etapa procedeu-se ao levantamento das principais estatísticas individuais da Liga Betclic, recorrendo às médias por jogo disponibilizadas pela competição e referente a cada jogador.

O critério padrão que escolhemos foi o de cada jogador ter jogado pelo menos 10 minutos de média por jogo (MPJ).

Esta informação constituiu a base quantitativa para a análise do contributo efetivo dos jogadores portugueses.

 

Estudo n.º 5 – Impacto dos Jogadores Portugueses

Neste estudo incidimos o nosso foco especificamente sobre qual o papel dos jogadores portugueses na Liga Betclic, 2025/26.

Foram identificados todos os atletas de nacionalidade portuguesa e aqueles que possuem estatuto de jogador formado em Portugal (formação local), estabelecendo-se como critério mínimo uma utilização média de 10 minutos por jogo.

Para cada atleta foram registados:

  • número de jogos realizados;
  • média de minutos por jogo (MPJ);
  • média de pontos por jogo (PPJ);
  • data de nascimento;
  • altura.

Da aplicação deste critério resultou a identificação de:

  • 42 jogadores portugueses;
  • 3 jogadores com estatuto de formação local;

perfazendo um total de 45 atletas com participação efetiva na competição.

 

Cruzamento e Análise dos Dados

Depois de concluída a recolha da informação, procedeu-se ao cruzamento dos dados recorrendo ao ChatGPT como ferramenta de apoio à análise.

Foram desenvolvidas várias consultas sucessivas (prompts), permitindo responder a diferentes questões:

  • escalonamento dos jogadores de acordo com a média de minutos por jogo;
  • distribuição dos atletas por idade, tempo de utilização e clube;
  • relação entre idade, minutos de jogo e produção ofensiva (pontos por jogo);
  • identificação do peso competitivo dos jogadores com mais de 35 anos, dos atletas com menos de 30 anos e dos jogadores com estatuto de formação local;
  • estimativa do número de jogadores portugueses necessários para sustentar uma Liga composta por 14 equipas, considerando plantéis de 12 atletas, dos quais seis seriam jogadores estrangeiros.

O objetivo desta metodologia não foi apenas descrever a realidade atual da “Liga Betclic”, mas, sobretudo, produzir evidência que permita discutir, de forma objetiva e sustentada, qual deverá ser a dimensão ideal do principal campeonato nacional e qual o papel que os jogadores portugueses devem assumir no seu desenvolvimento futuro.

 

Estudo nº 6 – Tempo de jogo dos jogadores estrangeiros vs. Jogadores portugueses

Como etapa final, procurou-se quantificar o tempo médio de jogo dos jogadores estrangeiros por equipa e na totalidade da competição, analisando o seu peso na distribuição dos 200 minutos de jogo e as implicações dessa utilização no espaço competitivo disponível para os jogadores portugueses, especialmente no desenvolvimento dos atletas mais jovens.

 


Estudo n.º 1 – Estrutura de Campeonatos Europeus

Dedução do estudo

Portugal apresenta uma das fases regulares mais curtas entre os campeonatos analisados, com apenas 22 jogos, realidade que justifica uma reflexão estratégica sobre a adequação do atual modelo competitivo aos objetivos de desenvolvimento da modalidade.


Mais do que discutir o número de equipas ou de jogos de forma isolada, importa conceber um quadro competitivo coerente com a realidade do basquetebol português, capaz de equilibrar competitividade, desenvolvimento de jogadores, sustentabilidade dos clubes e valorização da Liga enquanto produto da indústria do desporto e do entretenimento.

 

 Estudo n.º 2 – Competições de Formação

Quadros competitivos de equipas de formação em Portugal – 2025-2026 –

Número de jogos das Equipas Campeãs Nacionais

 

Dedução do estudo - Síntese Estratégica

O paradoxo estrutural do basquetebol português diz-nos que as equipas campeãs nacionais dos escalões de formação disputam entre 32 e 35 jogos por época, enquanto a Liga Betclic realiza apenas 22 jogos na fase regular.

Esta realidade significa que um jovem atleta pode ter um percurso competitivo mais intenso durante a formação do que quando chega ao principal escalão nacional, contrariando a lógica de progressão do rendimento desportivo.

Quando comparado com as principais ligas europeias, que disputam entre 24 e 34 jogos na fase regular, Portugal apresenta um dos calendários competitivos mais reduzidos.

 

"O Paradoxo Competitivo do Basquetebol Português"

Número de jogos por época 2025-26


Legenda: Comparação entre a Liga Betclic e as equipas campeãs nacionais de formação.

 

Estudo n.º 4 – Caracterização Estatística da Liga Betclic

 

Jogadores portugueses com mais de 10 MPJ

Impacto nas suas equipas - Liga Betclic

 

Dedução do estudo

São 45 os jogadores formados localmente que registam mais de 10 minutos por jogo (MPJ). A análise evidencia que o maior impacto competitivo se concentra nos jogadores entre os 24 e os 29 anos.

  • 45 jogadores com mais de 10MPJ.
  • 30 jogadores com menos de 30 anos.
  • 12 jogadores com mais de 30 anos.
  • 3 jogadores com nacionalidade estrangeira, mas com estatuto de jogador formado em Portugal (*):

 

Estudo n.º 5 – Impacto dos Jogadores Portugueses

Conjunto de perguntas (Prompts) dadas ao Chat GPT.

Top 10 dos jogadores portugueses/formados em Portugal com mais de 10 minutos por jogo, ordenados pelo tempo médio de utilização (MPJ) e identificando o respetivo clube.

Pos.

Jogador

Clube

MPJ

1

Carlos Cardoso

Sporting Clube de Braga

30.0

2

Hugo Ferreira

Esgueira Aveiro Oli

28.5

3

Francisco Amarante

Sporting Clube de Portugal

27.3

4

André Silva

Imortal Luzigas

26.8

5

José Barbosa

UD Oliveirense

25.1

6

Bruno Araújo

Vitória Sport Clube

24.8

7

Ricardo Monteiro

Sporting Clube de Braga

24.7

8

Miguel Queiroz

Futebol Clube do Porto

24.6

9

Arnette Hallman

Queluz O Nosso Prego

24.4

10

Filipe Ferreira

SC Vasco da Gama

23.4

 

Distribuição por escalões etários e estatuto

  • 45 jogadores com mais de 10MPJ.
  • 30 jogadores com menos de 30 anos.
  • 12 jogadores com mais de 30 anos.
  • 3 jogadores com estatuto de jogador formado em Portugal (*):

 

Clubes com maior utilização de jogadores portugueses/formados

Clube

Nº de jogadores (>10MPJ)

Sporting CP

6

Imortal

5

Ovarense

5

FC Porto

4

Benfica

4

SC Braga

4

Oliveirense

4

Vasco da Gama

3

Galitos Barreiro

3

Vitória SC

3

Esgueira

2

Queluz

2

 

 Jogadores com mais de 30 anos e maior utilização

 

Jogador

Clube

MPJ

José Barbosa

UD Oliveirense

25,1

Miguel Queiroz

FC Porto

24,6

 

Top 5 - mais jovens por MPJ

Jogador

Clube

MPJ

Hugo Ferreira

Esgueira

28,5

André Silva

Imortal

26,8

Francisco Amarante

Sporting CP

27,3

Filipe Gewert

Vitória SC

20,6

Bernardo Lisboa

Galitos

20,1

 

Escalonamento por grupos etários

Escalão etário

Nº jogadores

MPJ médio

Sub-23 (20-22 anos)

5

15,1

23-25 anos

16

18,6

26-29 anos

9

20,4

30-34 anos

6

18,7

35+ anos

4

20,8

 

Esta distribuição evidencia que os jogadores entre os 23 e os 29 anos concentram a maioria dos minutos competitivos.

 

Jogadores jovens com elevada utilização e produção

São os casos mais valiosos do conjunto, porque combinam juventude, muitos minutos e elevado rendimento.

Jogador

Idade

MPJ

PPJ

Hugo Ferreira (Esgueira)

24

28,5

15,1

André Silva (Imortal)

25

26,8

13,6

Francisco Amarante (Sporting)

26

27,3

10,9

Ricardo Monteiro (Braga)

29

24,7

11,4

Conclusão: São os jogadores com melhor combinação de idade, utilização e produção. Hugo Ferreira destaca-se particularmente por liderar em pontuação entre os jogadores sub-30.

 

Eficiência ofensiva por minuto

Uma forma simples de relacionar tempo de jogo e produção é observar os pontos produzidos por minuto jogado (PPJ/MPJ).

 

Jogador

Idade

PPJ/MPJ

Hugo Ferreira

24

0,53

André Silva

25

0,51

 

Conclusão: Os jogadores mais eficientes encontram-se precisamente na faixa dos 24 aos 29 anos, reforçando a ideia de que este é o período de maior rendimento

 

Dedução do estudo

Hugo Ferreira (Esgueira), é o jogador que reúne simultaneamente juventude relativa (24 anos), maior utilização (28,5 MPJ) e maior produção ofensiva (15,1 PPJ).

Em síntese, no basquetebol português atual, a relação entre idade, minutos e pontos desenha uma curva em forma de sino, cujo ponto máximo de rendimento se situa aproximadamente entre os 25 e os 29 anos.



Qual o número de equipas possíveis para uma competição interessante?

Tendo em consideração os dados até agora obtidos, e pensando numa competição cujo quadro competitivo é composto por quatorze equipas, em que cada equipa é constituída por doze jogadores sendo que seis têm nacionalidade não portuguesa, e seis têm nacionalidade portuguesa, quantos jogadores portugueses precisaríamos no total para ter uma competição interessante?

Partindo do modelo competitivo que descreve:

  • 14 equipas
  • 12 jogadores por equipa
  • 6 jogadores estrangeiros por equipa
  • 6 jogadores portugueses por equipa

O número mínimo de jogadores portugueses necessários para preencher os plantéis seria: [14 \times 6 = 84].

Portanto, seriam necessários 84 jogadores portugueses para garantir o funcionamento da competição.

À luz dos números atuais, o basquetebol português parece dispor de aproximadamente 45 jogadores portugueses com impacto competitivo relevante, o que representa apenas: [\frac {45} {84} = 53,6%] do número desejável para um campeonato de 14 equipas com seis portugueses por plantel.

Consequentemente, existem duas leituras possíveis:

  1. Se o objetivo for apenas cumprir regulamentos, 84 jogadores portugueses serão suficientes.
  2. Se o objetivo for ter 14 equipas competitivas com seis portugueses realmente capazes de contribuir, o sistema deveria produzir regularmente entre 70 e 90 jogadores portugueses de nível Liga, dos quais pelo menos 50 a 60 deveriam ser jogadores de rotação efetiva (10+ MPJ). 

A análise dos dados sugere que o ecossistema atual está mais próximo da capacidade para sustentar:

  • 8 a 10 equipas com seis portugueses competitivos por plantel, do que propriamente um campeonato de 14 equipas com esse mesmo requisito.

Esta conclusão ajuda a explicar a elevada concentração dos minutos dos jogadores portugueses em determinados clubes e a forte dependência de jogadores estrangeiros em várias equipas da competição.

Esta leitura de resultados devia levar-nos para um cenário de reflexão sobre o trabalho que tem sido feito até ao presente, sobre o seu impacto na sustentabilidade dos clubes e competições, bem como quais os desafios que devemos aceitar para termos mais jogadores portugueses com impacto nas competições seniores.

 

Estudo nº 6 – Tempo de jogo dos jogadores estrangeiros vs. Jogadores portugueses

Se um jogo de basquetebol tem a duração de duzentos minutos qual o tempo de jogo dos jogadores estrangeiros por equipa e no total da competição.

 


É possível relacionar o tempo médio de jogo (MPJ) dos estrangeiros por equipa com o tempo médio de jogo (MPJ) dos jogadores jovens e como isso pode influenciar o seu desenvolvimento e rendimento?

É provavelmente uma das relações mais relevantes que emerge do conjunto dos dados recolhidos.

A análise não permite afirmar uma relação de causa-efeito de forma absoluta, mas evidencia uma forte correlação entre o peso competitivo dos jogadores estrangeiros e o espaço competitivo concedido aos jogadores portugueses mais jovens.

Podemos analisar essa relação sob três perspetivas.

 

Dedução do estudo

Os dados analisados permitem sustentar uma hipótese forte: quanto maior é a percentagem de minutos ocupada pelos jogadores estrangeiros, menor tende a ser o tempo competitivo disponível para os jogadores portugueses mais jovens, condicionando o seu desenvolvimento e atrasando a sua afirmação na Liga Betclic.

Esta relação não deve ser interpretada como um argumento contra a presença de jogadores estrangeiros. Pelo contrário, os estrangeiros elevam frequentemente a qualidade da competição.

O desafio estratégico consiste em encontrar um ponto de equilíbrio entre competitividade imediata e desenvolvimento do talento nacional.

Nesse sentido, o verdadeiro indicador a monitorizar não será apenas o número de estrangeiros por plantel, mas sobretudo a percentagem de minutos efetivamente jogados por jogadores portugueses em cada faixa etária, pois é esse indicador que melhor traduz as oportunidades reais de desenvolvimento e a capacidade da competição para alimentar o futuro do basquetebol português.

 

Considerações finais

 

Os Quadros Competitivos na Era da Indústria do Desporto e do Entretenimento

1. Os 7 Insights Mais Importantes

  1. Défice de Jogos face à Europa: Portugal tem um dos quadros competitivos mais curtos, com apenas 22 jogos na fase regular, enquanto potências como Espanha e Alemanha realizam 34 jogos.
  2. O "Núcleo Duro" Nacional é Pequeno: Apenas 45 jogadores portugueses (ou formados localmente) conseguem jogar mais de 10 minutos por jogo na Liga principal, o que revela uma base de elite muito estreita.
  3. Domínio de Minutos Estrangeiros: Os jogadores estrangeiros ocupam, em média, 61,5% do tempo total de jogo na Liga, deixando apenas 38,5% para os atletas nacionais.
  4. O Pico de Rendimento: O melhor desempenho e a maior utilização dos jogadores portugueses acontecem entre os 24 e os 29 anos. É nesta faixa que se concentra o maior volume de pontos e minutos.
  5. Ciclo de Substituição: O uso intensivo de estrangeiros cria um ciclo: menos minutos para jovens portugueses levam a um desenvolvimento mais lento, o que gera menor confiança dos treinadores e a necessidade de contratar mais estrangeiros.
  6. Desafio do Alargamento: Para sustentar uma liga de 14 equipas com qualidade e 6 portugueses por plantel, seriam necessários cerca de 84 jogadores competitivos, mas Portugal só dispõe atualmente de cerca de 53% desse número com impacto real.
  7. Basquetebol como Entretenimento: A futura "Liga Tuga" deve ser gerida como uma marca na indústria do entretenimento, focada no propósito, na experiência do adepto e no uso de inteligência artificial, e não apenas como um conjunto de regulamentos desportivos.

 

2. Principais Argumentos

  • Sustentabilidade pelo Talento: O modelo competitivo deve estar alinhado com os recursos humanos disponíveis. Não basta ter equipas; é preciso ter jogadores nacionais capazes de serem protagonistas para a liga ser interessante e sustentável.
  • Minutos como Investimento: A evolução de um jovem atleta não depende apenas do treino, mas da quantidade e qualidade de minutos em competição real.
  • Gestão Estratégica: O deve ser cada mais na percentagem de minutos efetivos que os portugueses jogam, pois esse é o verdadeiro indicador de desenvolvimento.

 

3. Aprendizagem Prática (Linguagem Simples)

Para o basquetebol português crescer, é necessário jogar mais e melhor.

Isso significa que as competições precisam de calendários mais longos e os clubes devem encontrar um equilíbrio: usar estrangeiros para subir o nível, mas garantir que os portugueses (especialmente os entre 20 e 23 anos) tenham tempo real de jogo para "errar e aprender". A Liga deve ser tratada como um espetáculo que as pessoas queiram comprar, onde os jogadores nacionais são as referências da marca.

Atualmente, as grandes marcas distinguem-se pelo seu propósito. Mais do que explicar o que fazem, procuram responder à questão fundamental: porque existem?

Também o basquetebol português deve responder a essa pergunta.

O que define verdadeiramente a modalidade?

Qual é o propósito da Liga Betclic enquanto principal competição nacional?


 Aontónio Pereira

16-07-2026

NOTA: Se quiser ler o Estudo completo clik AQUI.

 

 

Autor:

António Pereira. é ex-jogador da Associação Académica de Coimbra, e do Clube Académico de Coimbra (CAC), pelo qual se sagrou bicampeão nacional do escalão de juniores, e ex-treinador da equipa sénior de basquetebol da Associação Académica de Coimbra (AAC), conduzindo-a à conquista do título de campeão nacional. Nesse período, liderou igualmente uma digressão da equipa pelos Estados Unidos da América, onde competiu com universidades norte-americanas. Em 1984, liderou a equipa de juniores do Sport Clube Conimbricense à Fase Final nacional.

Foi pioneiro em Portugal na observação, análise e caracterização de jogadores de basquetebol, tendo o seu trabalho de aconselhamento contribuído para a integração de várias centenas de atletas no campeonato português e em campeonatos africanos. Muitos destes jogadores alcançaram níveis de elevado reconhecimento, através da conquista de títulos, do cumprimento de objetivos coletivos e da obtenção de posições de destaque em rankings estatísticos da modalidade.

É licenciado em Comunicação Organizacional, com especializações em Comunicação de Marketing e Comunicação de Relações Públicas, e mestre em Marketing e Comunicação. A sua dissertação de mestrado incidiu sobre a temática “A Responsabilidade Social das Organizações Desportivas e dos Atletas Profissionais: um estudo em Portugal e nos Estados Unidos da América”.

Desenvolve atividade regular como autor e analista na área da Gestão do Desporto, colaborando com diversos órgãos de comunicação social, entre os quais A Bola, Diário de Coimbra e As Beiras, bem como em plataformas digitais dedicadas ao basquetebol e à gestão desportiva. Ao longo da época de 2019/2020, publicou um estudo de referência sobre o basquetebol português, abordando diferentes dimensões da gestão da modalidade, com particular enfoque na comunicação e na análise do jogo.

É um dos fundadores do blogue “Ideias para o Basquetebol”, um movimento agregador de pessoas que, de forma voluntária e desprendida, se dispuseram a partilhar as suas ideias sobre o basquetebol português.